quarta-feira, dezembro 21, 2005

Certas palavras tocam

"Poxa, meu anjo, que teus sonhos sejam sempre tão lindos quanto teu coração e que sejam tão verdadeiros quanto teus olhos!"

Do meu dindo

domingo, dezembro 18, 2005

Como acabar com resquícios de auto-estima em quatro passos

1. Coloca o maiô.
2. Coloca a touca.
3. Coloca o óculos.
4. Te olha no espelho.

Depoimento de quem já experimentou:
"Funcionou. Minha auto-estima atingiu proporções negativas em segundos!!"
Thais Sardá, 22 anos

Os benefícios da natação vão ter que valer à pena.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Política da (nada) boa vizinhança

Não tenho muita sorte com vizinhos.
A dona Marlene lá de Rio Grande que não me leia - pode parar de levar aqueles peixes saborosos que o marido dela pesca lá em casa - mas até ela, com os ótimos peixes, tem seus defeitos. Sete e meia da manhã de sábado e/ou domingo, ela coloca músicas do calibre de Daniel ou Rick e Renner pra tocar. Imagina eu, naquela fase em que Renato Russo é um deus e Legião Urbana uma religião, acordando ao som de Lernardo e companhia. Não dava pra agüentar.
(Será que todo mundo teve essa fase de cantarolar as letras depressivas escritas pelo falecido, ou só aconteceu comigo?)
Em todo caso, a dona Marlene não conta, já que convivia com os gritos, ops, doces latidos dos nossos três adoráveis cachorros e não me lembro de ela reclamar. A minha mãe até deu de presente pra ela um ponto da nossa Net. Muito legal a dona Marlene.
Descobri, há pouco, que meu vizinho de Porto Alegre têm uma performance sexual admirável. Não, gente, não experimentei o menino, apenas deduzi devido aos gritos de sua namorada. É isso, ou a guria é muito da cínica. Não tô falando só de gemidos, são gritos mesmo. Infelizmente, com frases identificáveis. E, além dos gritos, a cama bate de tal forma contra a parede que o reboco deve ter que ser refeito a cada ato. Sozinha em casa, chego a ficar corada.
Mas tudo bem, que seja feliz a vida sexual do vizinho do segundo andar. O cara parece bom mesmo.
No prédio do Rafa é que se localiza a ocorrência mais crítica. Uma senhora doida, desequilibrada mesmo, passa as tardes gritando com a enteada, que tem problemas mentais. Cheguei a pensar em sugerir pauta pro Diário Gaúcho - imagina uma manchete do tipo "Jovem com problemas era refém de madrasta louca". Ou algo mais impactante. Eu sou péssima com títulos, já diria certo editor.
Desisti da sugestão depois que ela ameaçou de morte a Rosângela, porteira do prédio. Sério, é a porteira dos sonhos: esses dias ela correu pra abrir a porta do elevador pra mim e apertar o botão "6" do elevador só porque eu cheguei com duas sacolinhas nas mãos. Bom, se a Rosângela foi ameaçada, e é um poço de simpatia, que dirá eu.
No caso dos vizinhos do Rafa, as frases não são sussuradas, são berradas mesmo. "Eu vou te matar!". "Ou eu mato vocês, ou vocês me matam". Por baixo. É sério. Eu fico com medo.

Faltam poucas assinaturas com firma reconhecida para que a minha esperada mudança ocorra. Eu e a Mi nos mudamos nessa ou na outra semana. Casa nova pra criar novas histórias. E que venha com uma vizinhança agradável dessa vez. Tipo a dona Marlene.

domingo, dezembro 04, 2005

Entre as mais estranhas

de trabalhar de madrugada, na minha curta experiência de quatro dias na madruga da Agência.

- Olhar pela janela e ver que o dia amanheceu, como se tivesse acontecido de um minuto para o outro.
- Ficar confusa entre dizer "bom dia" ou "boa noite" para os policiais que atendem durante as rondas.
- Tentar recuperar o sono e, finalmente, sentir na pele a poluição sonora de Porto Alegre.
- Não poder beber de noite, que é horário de beber. Não sempre, claro.
- Ver a faxineira limpar o Copy. (Cheguei a pensar que ele era auto-limpante).
- A faxineira perguntar: "e o guri que ficava aqui?", aparentemente desconsolada com o fato de não ser mais ele a encontrá-la pela manhã.
- Ficar novamente confusa, mas quanto ao dia da semana.
- Silêncio.
- Piscar forte quando o sono bate, dar uma voltinha, beber água gelada e rezar para que a pessoa das 8h não se atrase.
- Cair na cama sem falar qualquer palavra, e ser compreendida por isso.
- Acordar depois das 15h e também ser compreendida por isso.
- Ver os filmes pornográficos do Intercine Brasil de segunda pra terça. Juro que por falta de opção: a Globo tem que ser gravada 24 horas por dia.
- Não falar 70% do tempo.
- Falar sozinha 10% do tempo, pra não perder a prática.
- Imaginar como está o sono de quem está em casa, na cama quentinha.
- Sentir muito frio - não tenho certeza sobre isso, mas acho que por causa da pressão, que baixa com o sono.
- Ter uma vida predominantemente noturna e dormir pela manhã, quando durante toda minha vida fiz o contrário.
- Não esquecer: é temporário.

terça-feira, novembro 29, 2005

Nariz de palhaço

Nunca achei que o futebol, um dia, pudesse me estressar. Futebol, pra mim, sempre foi sinônimo de diversão, descontração ou sentimentos do gênero. Mas isso mudou nesse Campeonato Brasileiro, quando passei a me interessar mais pelo esporte. Em algum raro momento de ócio, uma olhadinha no Terra pra ver as notícias esportivas. Ou uma folheada breve nas últimas páginas do jornal.

Futebol é bom mesmo, milhões de brasileiros não podiam estar completamente errados. (Ignore casos políticos).

Mas queria falar de outra coisa, não de minha descoberta atrasada. Queria deixar público meu descontentamento com a forma com que esse campeonato foi dirigido. E a direção rumo a um certo time paulista é clara. Pior do que esse rumo desonesto, é ver como lidamos mal com o poder. Sim, nós mesmos, os seres humanos. Os que, até provem o contrário, pensam.
Explico: um árbitro - um ser humano, uma pessoa de carne e osso, um qualquer - é capaz de, com uma decisão, mudar a história de um clube. Um penâlti muda o campeão. Um cartão vermelho, também. Agora pasmem: alguns desses árbitros utilizam seu poder de decisão para manipular resultados e, chegamos ao âmago da questão, ganhar dinheiro.
Ah, esse maldito homem guiado pelo desejo de lucrar.
Estou, publicamente, me lamuriando pelo espírito pobre do homem. Gostaria de entender essa ganância. Acho, aliás, que entendendo a ganância, compreenderia, finalmente, o egoísmo. Que outro nome tem a ação de tramar um resultado, responsabilizando-se pela alegria de uma torcida, pelos frutos do trabalho de anos de um clube?
Gostaria que esses juízes - homens egoístas e desonestos - lembrassem como foi triste aquela derrota injusta que seu time sofreu no passado. Time que se preza tem vitória e derrota injusta no currículo. Erros - ao menos pra mim, que não sou perfeita - são aceitáveis quando naturais e imperdoáveis quando premeditados.

A minha descoberta de que o futebol tem seu encanto, e não se reduz a um monte de homens correndo atrás de um objeto rolante, poderia ter sido mais feliz.

domingo, outubro 30, 2005

Em tempo

* Tenho borboletas azuis nas unhas.
* Estou escrevendo novamente para a Zero Hora.
* Aprendi a fazer maionese.
* Último dia como fotovix.
* Sou uma viciada em literatura.

Quando foi mesmo?

Teve um dia, uma hora, um segundo em que começou a fazer diferença.
Não sei precisar quando. Gostaria de poder.
Teve um momento que marcou e, a partir dele, tive certeza de que nunca mais seria a mesma. Quando foi? Quando? Por favor, alguém responde. Ah, entendi, mais uma pergunta sem resposta. Mais uma resposta que nunca vou ter.
Queria entender essa coisa que se forma dentro da cabeça (ou diriam os românticos, dentro do coração. Diria, então, eu, dentro do coração). Queria entender como a paixão vira amor. Quando a vontade vira necessidade. Quando se perde a vergonha de chorar e de sofrer abertamente. Quando se perde a vergonha.
No fim das contas, queria entender esse amor.

terça-feira, outubro 25, 2005

Reiterando

Ia postar alguma coisa de útil. Tinha até pensado o tema. Ia falar de angústias e de como as pessoas me surpreendem. Mas, na última hora, perdi a vontade.
Ia até colocar "O Grito" ilustrando, mas pensei que este blog ia parecer um fotolog, e eu sei o que as pessoas pensam sobre fotologs. Gosto de fotologs, mas não tenho capital para uma câmera digital. Bom, não vou começar a reclamar da minha falência econômica aqui, que isso já seria pobreza de espírito.
Caminhei tanto hoje, corri pra não chegar atrasada no trabalho. E me vi esperando - com uma expressão patética - a cobrança de um pênalti, defendido por um cachorro. Sessão da Tarde.
Não vou reclamar, também, da correria. Gosto dela. Mas esse post foi perda de tempo. Nem queria escrever, mas o teclado parece se mover sozinho através dos meus pensamentos. Do quadro, ao menos, poupei o leitor. Boba eu, talvez fosse a única coisa que chamasse a atenção nesse espaço.
Não tem lugar para Munch hoje. Mas é uma época de valorização da imagem, o que só me prejudica.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Eu e o jornal


Eu gosto de trabalhar na Zero Hora. De alguma forma, na minha mente, eu percebo a minha contribuição para o jornal a cada edição.
Trabalho todas as noites, exceto sábados e domingos, quando o horário é estabelecido por escala. Daí pode ser que trabalhe de manhã ou de tarde. Durante a semana, todas minhas noites estão ocupadas, nunca consigo trocar com ninguém. Nem pra ir a show, nem pra ir mais cedo pra Rio Grande, nos fins-de-semana em que vou pra lá.
Mas não reclamo disso. Eu gosto de trabalhar de noite. Gosto de resolver os problemas na correria do encerramento. Gosto de ver a Caramello chegando com o jornal fresquinho.
E, em especial, gosto de estar sentadinha no meio da Redação, com uma visão privilegiada de tudo que está acontecendo. Seja no Mundo, que fica na frente. No Esporte, que fica de um lado. Ou na Economia, que fica do outro.
Quando entrei na faculdade eu tinha certeza de uma coisa: faria uma pós e daria aulas, quem sabe, na Puc. Eles pagam bem. Imagina, dar minhas aulinhas tranqüilamente, ter longas férias por ano. Domingos e feriados garantidos. Hoje não sei mais o que quero, mas sei que minha vida seria mais triste sem a animação do jornal.
Sem rodeios, Thais. Bom, estarei mudando de setor em breve. Uma evolução profissional no meu currículo que é tão breve, mal tem um ano.
Senti vontade de colocar essa foto aqui. Foi a Brenda quem tirou. Eu no "meu" computador. Com o "meu" teclado Dell. Exercendo a função de Fotovix, baixando fotinhos pro pessoal da CTI tratar.
Que venha essa nova etapa, com novas funções e com salário (levemente) turbinado. E, principalmente, que seja uma boa decisão.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Kelly Cristina (e como meus pais não cresceram)

Semana passada fui pra Rio Grande. O melhor de ir pra lá, além de ser mimada 24 horas por dia, é deitar na cama dos meus pais e ficar conversando com eles sobre o passado. Tá, eu sei, essa frase ficou melancólica. Mas quando se teve a infância feliz que eu tive, com pais presentes, irmãs pentelhas (irmãs sempre são pentelhas) e um bocado de amigos, é difícil não ser saudosista.
Meus pais eram participativos mesmo, no sentido mais exagerado da palavra. Quando eu fazia teatro, meu pai fez o cenário de uma peça e minha mãe maquiou o pessoal no dia da apresentação. Lá se foi toda a sombra preta da minha irmã mais velha, caréssima. A peça era sobre bruxas... Entre outras coisas, como o meu pai embarcar em todas as nossas manias. Um dia perna de pau, no outro, pipa. E minha mãe ir a todas as minhas apresentações quando eu cantava num coral. Nem eu aguentava ir a todas...
Bom, mas retornando à idéia inicial. Falou-se de passado. Estava deitada no meio dos dois, lembrando de uma cadela que a gente tinha, a Kelly Cristina. Tão feia ela ficou quando perdeu os dentes... Então perguntei pra eles de onde tinha vindo o nome. O meu pai se adiantou na explicação, falando que, inicialmente, o nome ia ser só Kelly, mas a minha mãe anexou Cristina, devido a uma ex-namorada dele.
Fiquei rindo por muito tempo. A minha mãe com uma cara de culpada, rindo também.
E eu pensei que não é tão no fundo que eles são apenas crianças grandes.